A prevalência de distúrbios digestivos como diverticulite e colite ulcerosa está aumentando, despertando maior interesse no manejo dietético. Estas condições – inflamação das bolsas digestivas (diverticulite) e inflamação crónica do cólon (colite ulcerosa) – têm um impacto significativo na qualidade de vida e as escolhas alimentares desempenham um papel central tanto no controlo como na prevenção dos sintomas.
Compreendendo a diverticulite e a colite ulcerativa
A diverticulite se desenvolve quando pequenas bolsas (divertículos) no cólon ficam inflamadas ou infectadas. Os sintomas incluem dor abdominal, febre, náusea e alterações nos hábitos intestinais. O cólon sigmóide, uma porção inferior do intestino grosso, é mais propenso a desenvolver essas bolsas. O tratamento varia de antibióticos e repouso intestinal até, em casos graves, cirurgia. A prevenção envolve uma dieta rica em fibras para reduzir o esforço durante as evacuações.
Colite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal crônica (DII) que causa inflamação e úlceras no cólon e no reto. Os sintomas incluem fezes com sangue, dor abdominal, evacuações urgentes e perda de peso. Os surtos podem ser debilitantes. Modificações dietéticas são fundamentais para reduzir os sintomas durante as crises e manter a remissão.
Estratégias dietéticas para diverticulite
Historicamente, dietas pobres em fibras eram recomendadas para crises de diverticulite. No entanto, pesquisas atuais sugerem que a ingestão consistente de alto teor de fibras é protetora, reduzindo o risco de formação de divertículos e complicações.
- Alimentos a incluir: Aveia, vegetais bem cozidos (brócolis, espinafre, cenoura), frutas com casca comestível (maçãs, peras), proteínas magras e hidratação adequada.
- Alimentos a evitar durante as crises: Carne vermelha, alimentos ricos em gordura, alimentos processados e alimentos conhecidos por provocarem desconforto pessoal.
A questão de saber se o chocolate agrava a diverticulite permanece em debate; não existe nenhuma evidência conclusiva. A quinoa, um grão sem glúten, é geralmente segura para quem tem diverticulose (bolsas sem inflamação), mas deve ser monitorada quanto à tolerância individual.
Estratégias dietéticas para colite ulcerativa
A colite ulcerativa requer uma abordagem mais sutil. Uma dieta com baixo teor de resíduos pode reduzir os movimentos intestinais durante as crises, mas não é uma solução a longo prazo.
- Melhores vegetais: Cenouras cozidas, abobrinha, abóbora e espinafre são geralmente bem tolerados.
- Alimentos a evitar durante as crises: Laticínios, alimentos com alto teor de açúcar, cafeína, álcool, alimentos picantes e vegetais crus.
- Planejamento de refeições: Um plano alimentar de 7 dias adaptado à colite ulcerosa deve enfatizar alimentos de fácil digestão, com reintrodução gradual de fibras à medida que os sintomas diminuem.
Sintomas embaraçosos como diarreia urgente e cólicas abdominais podem ser aliviados evitando alimentos desencadeantes e mantendo uma hidratação consistente.
Tratamento e Complicações
Para diverticulite, as opções de tratamento incluem antibióticos, dietas líquidas e cirurgia para casos graves, como perfuração ou formação de abscesso. As complicações incluem sangramento, obstrução intestinal e peritonite. A colite ulcerosa requer tratamento a longo prazo com medicamentos como antiinflamatórios e imunossupressores; as complicações incluem sangramento grave, megacólon tóxico e aumento do risco de câncer.
Conclusão
O manejo eficaz da diverticulite e da colite ulcerosa depende de estratégias dietéticas personalizadas combinadas com tratamento médico. Uma dieta rica em fibras é geralmente benéfica para prevenir a diverticulite, enquanto a colite ulcerosa requer evitar cuidadosamente os alimentos desencadeantes durante as crises e um plano de longo prazo para minimizar a inflamação e melhorar a qualidade de vida. O monitoramento consistente e a colaboração com um profissional de saúde são cruciais para obter resultados ideais.
























